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Estudo de nicho · Escritório · São Paulo · setembro de 2026

A sala de reunião parada

O coworking de escritório vende plano mensal. A sala de reunião fica de fora dessa conta e ninguém mede o quanto ela fica em pé. Este estudo mostra quem precisa de sala por hora em São Paulo, estima quanto isso dá e diz o que ainda falta medir.

Fontes públicas · premissas marcadas · método e fontes no fim

O que este estudo cobre: a sala de reunião do coworking de escritório, vendida por hora para quem não é membro. O que ele não cobre: estação de trabalho, sala privativa e escritório virtual, que já têm produto mensal maduro e não são o ponto ocioso.
395.608advogados inscritos na seccional São PauloOAB Conselho Federal, set/2026
42,66%da advocacia trabalha em regime de home officeOAB e FGV, 2023
6,6 mide pessoas trabalhavam de casa no BrasilIBGE, PNAD Contínua, ref. 2024
646.248empresas atuantes no município de São PauloIBGE, CEMPRE 2021
295 a 759salas de reunião que só um recorte da demanda encheriaEstimativa, seção 04

01 · O ativo que ninguém mede

Todo coworking de escritório sabe quantas estações vendeu. Quase nenhum sabe quantas horas a sala de reunião ficou em pé.

A razão é o modelo de venda. A estação e a sala privativa têm contrato mensal, então a ocupação aparece no faturamento. A sala de reunião costuma entrar como cortesia dentro do plano, com um pacote de horas que o membro usa ou não usa. Quando ninguém usa, nada acontece no sistema. A sala não aparece como vaga, aparece como benefício não consumido.

Isso cria um ponto cego. Não existe no Brasil nenhum levantamento público de ocupação de sala de reunião dentro de coworking. Nem associação setorial, nem consultoria imobiliária, nem órgão público. O que existe é o dado do escritório corporativo, e ele já mostra o tamanho da folga.

Uso real do escritório corporativo, no mundo

Percentual da capacidade efetivamente utilizada. Levantamento com 84 organizações e 716 milhões de pés quadrados.

Pré-pandemia 61% 61% 2024 49% 49% 2025 54% 54% 2026 56% 56% 0% 70%

JLL, Global Occupancy Planning Benchmark Report 2026 (maio/2026). Dado global, não brasileiro. Mede escritório corporativo, não coworking.

O escritório de empresa, que é planejado, gerido e medido, opera a pouco mais da metade da capacidade. A sala de reunião de coworking não tem nenhuma razão para estar melhor. Só não tem ninguém contando.

02 · A conta de cinco minutos

Sem dado público, o número que importa é o seu.

A conta é simples e cabe em uma sala só. Não precisa de sistema, precisa da agenda do mês passado.

Quanto ficou na mesa

Números de exemplo, só para mostrar o formato. Os do seu espaço são outros.

01 · DISPONÍVEL 240 h 12h × 5 dias × 4 semanas 02 · USADO 60 h o que a agenda registrou 03 · HORA VAZIA 180 h a diferença entre as duas 04 · NA MESA R$ __ × preço da hora avulsa Uma sala, um mês, cinco minutos

Cálculo do próprio espaço. Vale a régua de baixo: o custo mensal da sala dividido pelas horas comercializáveis mostra a partir de que preço a hora avulsa já compensa.

Um ponto de honestidade. A hora vazia não gera prejuízo novo. Aluguel, condomínio, energia e limpeza são pagos com ou sem gente dentro. O que ela faz é deixar receita na mesa: dinheiro que o espaço já estava pronto para ganhar e não ganhou.

03 · Quem precisa de sala por hora

Não é a empresa híbrida. É quem não tem escritório nenhum.

A tentação é ligar sala de reunião avulsa ao boom do trabalho híbrido. O dado brasileiro não sustenta isso. O home office no Brasil subiu na pandemia, estabilizou e vem caindo há dois anos.

Pessoas trabalhando de casa no Brasil

Percentual do total de trabalhadores, excluído o setor público e o trabalho doméstico. Não há série para 2020 e 2021.

2012 3,6% 3,6% 2019 5,8% 5,8% 2022 8,4%, cerca de 6,7 milhões de pessoas 8,4% 2023 8,2%, cerca de 6,61 milhões de pessoas 8,2% 2024 7,9%, cerca de 6,6 milhões de pessoas 7,9% · 6,6 mi 0%

IBGE, PNAD Contínua, edição especial divulgada em novembro de 2025, com dados anuais desde 2012.

Ou seja: a tese não é crescimento, é estoque. São 6,6 milhões de pessoas trabalhando de casa, e o número é estável. Uma parte delas precisa, de vez em quando, de um lugar decente para receber alguém. Não precisa de plano mensal. Precisa de duas horas.

Quem trabalha de casa não tem onde receber cliente. É esse o problema que a sala de reunião por hora resolve.

Três grupos concentram essa necessidade em São Paulo:

Autônomo que atende cliente Advogado, contador, arquiteto, consultor
Precisa de
sala fechada, mesa, boa impressão
Frequência
eventual, algumas vezes por mês
Hoje resolve
em cafeteria, ou na casa do cliente
Empresa pequena sem sala própria Micro e pequena empresa de serviços
Precisa de
sala para reunião com cliente ou time
Frequência
pontual, em datas específicas
Hoje resolve
no escritório do cliente, ou por chamada
Time remoto que se junta Empresa distribuída, sem sede na cidade
Precisa de
sala maior, por meio período ou dia
Frequência
mensal ou trimestral
Hoje resolve
em hotel, ou alugando sala de evento

O município de São Paulo tem 646.248 empresas e organizações atuantes e 681.246 unidades locais (IBGE, CEMPRE 2021). A esmagadora maioria é micro. Não dá para saber pelo cadastro quantas têm sala de reunião própria, mas a ordem de grandeza deixa claro de que lado está o volume.

Do lado internacional há um sinal na direção certa: as reservas de sala de reunião cresceram 22% nas Américas, segundo levantamento de escritório flexível publicado em setembro de 2025. A base de comparação não é divulgada na versão pública, então o número serve de indício, não de prova.

04 · O mercado endereçável

O recorte dos advogados que trabalham de casa na capital.

A advocacia serve de exemplo pelo mesmo motivo que a psicologia serviu no estudo de saúde: é a categoria com mais dado público. Tem cadastro oficial atualizado e tem um censo próprio que mediu regime de trabalho. O funil parte de um número oficial e aplica três filtros. Um tem fonte. Dois são premissas, com faixa baixa e alta.

Do total de inscritos ao mercado endereçável

Cada etapa mostra o cenário baixo (barra cheia) e o cenário alto (contorno). Mesma escala em todas as linhas.

Cenário baixo Cenário alto
Inscritos na seccional SP 395.608 inscritos 395.608 Na capital Cenário alto: 178.024 Cenário baixo: 138.463 138.463 a 178.024 Em home office Cenário alto: 75.945 Cenário baixo: 59.068 59.068 a 75.945 Recebem cliente Cenário alto: 45.567 Cenário baixo: 17.720 17.720 a 45.567

Cálculo nosso. Fontes e premissas de cada etapa na tabela abaixo.

EtapaBaseBaixoAlto
Inscritos na seccional SPFonte OAB Conselho Federal, quadro atualizado diariamente. Inclui regulares e recadastrados, em todo o estado395.608395.608
Na capitalPremissa 35% a 45%. O piso é a fatia do município de São Paulo nas empresas atuantes do estado, 34,9% (IBGE, CEMPRE 2021). A OAB SP não publica o recorte por subseção em formato aberto138.463178.024
Em regime de home officeFonte 42,66%, censo da advocacia OAB e FGV, apresentado em nov/2023. Dado nacional59.06875.945
Recebem cliente presencialmentePremissa 30% a 60% recebem cliente presencialmente ao menos uma vez por mês17.72045.567

Com duas reuniões por mês de duas horas cada (premissa), são 71 mil a 182 mil horas de sala por mês. Uma sala aberta 12 horas por dia, de segunda a sexta, oferece cerca de 240 horas no mês:

Salas de reunião que essa demanda encheria

Só advogados, só na capital, só quem trabalha de casa. Sala de referência com 240 horas comercializáveis por mês.

Cenário baixo Cerca de 295 salas 295 Cenário alto Cerca de 759 salas 759 0 400 800

Cálculo nosso. "Sala cheia" é uma forma de expressar volume de horas, não uma previsão de captura. Não inclui contadores, arquitetos, consultores nem empresas.

A faixa é larga de propósito. Duas das quatro etapas não têm dado público. Ainda assim, o cenário mais conservador já diz alguma coisa: São Paulo tem cerca de 500 espaços de coworking, e só os advogados da capital que trabalham de casa dariam volume para 295 salas de reunião ocupadas em tempo integral, de segunda a sexta, das 8h às 20h. Contadores, arquitetos, consultores e as empresas pequenas entrariam por cima disso, e ainda não há dado suficiente para fazer a mesma conta com honestidade.

05 · Como essa demanda procura

Quem precisa de sala para uma reunião não digita "coworking".

Digita o produto. E o produto tem nome próprio:

"Sala de reunião por hora"o termo mais direto, e o mais disputado
"Aluguel de sala de reunião"quase sempre com o bairro junto
"Sala para atendimento"quem recebe cliente, não quem faz reunião interna
"Sala de reunião na Paulista"a busca por endereço, não por espaço

Quem vai atrás desses termos hoje encontra uma lista de páginas de coworkings individuais, cada uma disputando a mesma palavra sozinha. Não existe um lugar onde a pessoa compare bairro, horário e preço e resolva em três minutos. Ela abre cinco abas, manda cinco mensagens e espera resposta.

Para quem tem espaço, a consequência é a mesma do estudo de saúde, invertida: uma sala anunciada só como parte de um plano de coworking fica invisível para quem está procurando sala de reunião.

06 · A oferta que já existe

A sala está lá. O que falta é ela ser encontrável por hora.

Todos esses canais existem e funcionam. O que nenhum deles resolve é o problema de busca: a pessoa que precisa de uma sala na quarta às 14h em Pinheiros não tem onde olhar o que está livre agora.

07 · O que este estudo ainda não sabe

  • Ocupação real de sala de reunião em coworking no Brasil. Nenhuma fonte pública mede. É a lacuna central deste estudo e a razão de a seção 02 ser uma conta, e não um dado.
  • Volume de busca dos termos da seção 05. Sem o dado de busca não dá para dimensionar a demanda que já está ativa hoje.
  • Quantos advogados estão na capital. É a etapa de maior peso no funil e hoje é premissa, porque a OAB SP não publica o recorte por subseção em formato aberto.
  • Com que frequência o autônomo recebe cliente presencialmente. O censo da advocacia mediu regime de trabalho, não frequência de atendimento presencial.
  • Preço médio da hora de sala de reunião em São Paulo. Cada espaço publica o seu, e não há série comparável por bairro.
  • Quanto da demanda já é resolvida por indicação. Parte do mercado nunca passa por busca.
  • Contadores, arquitetos e consultores. Têm conselho e cadastro, mas não têm censo que meça regime de trabalho como o da advocacia. Ficaram de fora desta versão.
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