Estudo de nicho · Escritório · São Paulo · setembro de 2026
O coworking de escritório vende plano mensal. A sala de reunião fica de fora dessa conta e ninguém mede o quanto ela fica em pé. Este estudo mostra quem precisa de sala por hora em São Paulo, estima quanto isso dá e diz o que ainda falta medir.
Fontes públicas · premissas marcadas · método e fontes no fim
Todo coworking de escritório sabe quantas estações vendeu. Quase nenhum sabe quantas horas a sala de reunião ficou em pé.
A razão é o modelo de venda. A estação e a sala privativa têm contrato mensal, então a ocupação aparece no faturamento. A sala de reunião costuma entrar como cortesia dentro do plano, com um pacote de horas que o membro usa ou não usa. Quando ninguém usa, nada acontece no sistema. A sala não aparece como vaga, aparece como benefício não consumido.
Isso cria um ponto cego. Não existe no Brasil nenhum levantamento público de ocupação de sala de reunião dentro de coworking. Nem associação setorial, nem consultoria imobiliária, nem órgão público. O que existe é o dado do escritório corporativo, e ele já mostra o tamanho da folga.
Percentual da capacidade efetivamente utilizada. Levantamento com 84 organizações e 716 milhões de pés quadrados.
JLL, Global Occupancy Planning Benchmark Report 2026 (maio/2026). Dado global, não brasileiro. Mede escritório corporativo, não coworking.
O escritório de empresa, que é planejado, gerido e medido, opera a pouco mais da metade da capacidade. A sala de reunião de coworking não tem nenhuma razão para estar melhor. Só não tem ninguém contando.
Sem dado público, o número que importa é o seu.
A conta é simples e cabe em uma sala só. Não precisa de sistema, precisa da agenda do mês passado.
Números de exemplo, só para mostrar o formato. Os do seu espaço são outros.
Cálculo do próprio espaço. Vale a régua de baixo: o custo mensal da sala dividido pelas horas comercializáveis mostra a partir de que preço a hora avulsa já compensa.
Um ponto de honestidade. A hora vazia não gera prejuízo novo. Aluguel, condomínio, energia e limpeza são pagos com ou sem gente dentro. O que ela faz é deixar receita na mesa: dinheiro que o espaço já estava pronto para ganhar e não ganhou.
Não é a empresa híbrida. É quem não tem escritório nenhum.
A tentação é ligar sala de reunião avulsa ao boom do trabalho híbrido. O dado brasileiro não sustenta isso. O home office no Brasil subiu na pandemia, estabilizou e vem caindo há dois anos.
Percentual do total de trabalhadores, excluído o setor público e o trabalho doméstico. Não há série para 2020 e 2021.
IBGE, PNAD Contínua, edição especial divulgada em novembro de 2025, com dados anuais desde 2012.
Ou seja: a tese não é crescimento, é estoque. São 6,6 milhões de pessoas trabalhando de casa, e o número é estável. Uma parte delas precisa, de vez em quando, de um lugar decente para receber alguém. Não precisa de plano mensal. Precisa de duas horas.
Quem trabalha de casa não tem onde receber cliente. É esse o problema que a sala de reunião por hora resolve.
Três grupos concentram essa necessidade em São Paulo:
O município de São Paulo tem 646.248 empresas e organizações atuantes e 681.246 unidades locais (IBGE, CEMPRE 2021). A esmagadora maioria é micro. Não dá para saber pelo cadastro quantas têm sala de reunião própria, mas a ordem de grandeza deixa claro de que lado está o volume.
Do lado internacional há um sinal na direção certa: as reservas de sala de reunião cresceram 22% nas Américas, segundo levantamento de escritório flexível publicado em setembro de 2025. A base de comparação não é divulgada na versão pública, então o número serve de indício, não de prova.
O recorte dos advogados que trabalham de casa na capital.
A advocacia serve de exemplo pelo mesmo motivo que a psicologia serviu no estudo de saúde: é a categoria com mais dado público. Tem cadastro oficial atualizado e tem um censo próprio que mediu regime de trabalho. O funil parte de um número oficial e aplica três filtros. Um tem fonte. Dois são premissas, com faixa baixa e alta.
Cada etapa mostra o cenário baixo (barra cheia) e o cenário alto (contorno). Mesma escala em todas as linhas.
Cálculo nosso. Fontes e premissas de cada etapa na tabela abaixo.
| Etapa | Base | Baixo | Alto |
|---|---|---|---|
| Inscritos na seccional SP | Fonte OAB Conselho Federal, quadro atualizado diariamente. Inclui regulares e recadastrados, em todo o estado | 395.608 | 395.608 |
| Na capital | Premissa 35% a 45%. O piso é a fatia do município de São Paulo nas empresas atuantes do estado, 34,9% (IBGE, CEMPRE 2021). A OAB SP não publica o recorte por subseção em formato aberto | 138.463 | 178.024 |
| Em regime de home office | Fonte 42,66%, censo da advocacia OAB e FGV, apresentado em nov/2023. Dado nacional | 59.068 | 75.945 |
| Recebem cliente presencialmente | Premissa 30% a 60% recebem cliente presencialmente ao menos uma vez por mês | 17.720 | 45.567 |
Com duas reuniões por mês de duas horas cada (premissa), são 71 mil a 182 mil horas de sala por mês. Uma sala aberta 12 horas por dia, de segunda a sexta, oferece cerca de 240 horas no mês:
Só advogados, só na capital, só quem trabalha de casa. Sala de referência com 240 horas comercializáveis por mês.
Cálculo nosso. "Sala cheia" é uma forma de expressar volume de horas, não uma previsão de captura. Não inclui contadores, arquitetos, consultores nem empresas.
A faixa é larga de propósito. Duas das quatro etapas não têm dado público. Ainda assim, o cenário mais conservador já diz alguma coisa: São Paulo tem cerca de 500 espaços de coworking, e só os advogados da capital que trabalham de casa dariam volume para 295 salas de reunião ocupadas em tempo integral, de segunda a sexta, das 8h às 20h. Contadores, arquitetos, consultores e as empresas pequenas entrariam por cima disso, e ainda não há dado suficiente para fazer a mesma conta com honestidade.
Quem precisa de sala para uma reunião não digita "coworking".
Digita o produto. E o produto tem nome próprio:
Quem vai atrás desses termos hoje encontra uma lista de páginas de coworkings individuais, cada uma disputando a mesma palavra sozinha. Não existe um lugar onde a pessoa compare bairro, horário e preço e resolva em três minutos. Ela abre cinco abas, manda cinco mensagens e espera resposta.
Para quem tem espaço, a consequência é a mesma do estudo de saúde, invertida: uma sala anunciada só como parte de um plano de coworking fica invisível para quem está procurando sala de reunião.
A sala está lá. O que falta é ela ser encontrável por hora.
Todos esses canais existem e funcionam. O que nenhum deles resolve é o problema de busca: a pessoa que precisa de uma sala na quarta às 14h em Pinheiros não tem onde olhar o que está livre agora.